c. 3,6 milhões a.C.-800 d.C.
Pegadas na Cinza, Depois Silêncio na Planície
Uma camada de cinza vulcânica repousa em Laetoli, a sul das terras altas de Ngorongoro, e três seres atravessam-na depois da chuva, há 3,6 milhões de anos. Uma pegada é maior, outra menor, e uma terceira entra na primeira como se o chão ainda estivesse mole. O que a maioria das pessoas não percebe é que esta cena mais íntima da história da Tanzânia foi encontrada em 1976 quase por acaso, quando a equipa de Mary Leakey reparou em depressões estranhas na superfície cinzenta e entendeu, com um arrepio, que estava a olhar para movimento tornado pedra.
Olduvai Gorge, ou Oldupai na forma maasai, deu ao mundo a mesma sensação em escala maior. Em 17 de julho de 1959, enquanto Louis Leakey estava doente no acampamento, Mary saiu sozinha e encontrou o crânio mais tarde apelidado de "Nutcracker Man", um rosto feito para triturar comida dura e sobreviver a paisagens ainda mais duras. Ele ficou famoso. Ela devia ter ficado ainda mais.
Estes lugares importam porque recusam o velho hábito europeu de colocar África na margem da história humana. Aqui, no norte da Tanzânia, perto da atual Arusha, a sequência corre no sentido inverso: o começo está aqui, as ferramentas estão aqui, os ossos estão aqui, e as civilizações posteriores chegam a um palco preparado por extensões de tempo inimagináveis. Até os nomes contam uma pequena comédia colonial, já que a forma alemã "Olduvai" pegou na ciência enquanto a planta local, oldupai, já lá estava desde sempre.
Durante muitos séculos depois desses vestígios iniciais, o registo torna-se mais silencioso, embora não vazio. Comunidades pastorais moveram-se pelo Vale do Rift, a metalurgia do ferro espalhou-se, e caminhos de comércio ligaram regiões do interior à costa muito antes de cronistas estrangeiros começarem a escrever o que viam. O silêncio está apenas nos arquivos. A vida humana nunca parou.
Essa é a ponte para tudo o que vem a seguir. Quando a costa atraiu mercadores da Arábia, da Pérsia e da Índia, o tempo profundo do interior encontrou o brilho do oceano Índico, e a história da Tanzânia mudou de escala.