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Uma fortuna de tabaco brasileira pagou as ameias do Castelo de Dully — ameias falsas numa encosta real acima do Lago Genebra, na aldeia de Dully, Suíça. O…
Foto: Pymouss · CC BY-SA 3.0
Uma fortuna de tabaco brasileira pagou as ameias do Castelo de Dully — ameias falsas numa encosta real acima do Lago Genebra, na aldeia de Dully, Suíça. O homem que as encomendou passou vinte anos na Bahia a gerir uma fábrica de tabaco, depois voltou para casa e comprou uma silhueta medieval. O que ele construiu é um castelo que discute consigo mesmo: classicismo francês de um lado, fantasia neogótica do outro, e um interior tão densamente decorado que, segundo um relato, 'nem um centímetro quadrado escapou.'
O castelo nunca foi uma ideia única. Dois corpos medievais — uma casa fortificada com torre, registada em 1463, e uma construção vizinha pertencente a um certo Jean de Dully — estiveram lado a lado durante séculos. Em 1699, uma galeria no lado sul juntou-os, a parte ocidental ladeada por uma torre redonda. Depois, na década de 1840, um barão do tabaco deu aos dois parceiros roupas diferentes.
No interior, a decoração é implacável. Artistas mestres italianos — cujos nomes se perderam — cobriram as paredes com cenas mitológicas. Uma lareira de mármore vermelho griotte ancora a sala de música, sob um teto pintado com Vénus, Hebe e Leda. Duas estantes cortam dois cantos opostos da sala de leitura. Até o mobiliário foi feito à medida.
O castelo assenta numa costa íngreme que domina o Léman, uma plataforma na encosta acima do Lago Genebra. Os caminhantes do Tour du Lac Léman — a grande rota que circunda o lago — passam mesmo à porta. E aqui fica um segredo: algumas daquelas pinturas murais 'do século XVIII' na sala de música foram, na verdade, pintadas nos anos 60. Este castelo tem sido silenciosamente, invisivelmente reescrito durante décadas.
O arquiteto Samuel Darier deitou a simetria pela janela no lado oeste. De 1841 a 1846, ele deu à fachada uma cornija e um amplo friso que é metade madeira cortada, metade molassa esculpida — a arenito dourada tão macia que você pode arranhá-la com uma moeda.
De perto, a guirlanda de folhas e frutas parece quase comestível sob a luz do fim de tarde; afastando-se, as janelas empilhadas sobem por botões e folhagens góticas até uma linha de telhado que parece deliberadamente desequilibrada. Essa irregularidade é o ponto principal. Os arquivos de construção dessa transformação desapareceram nos anos 1960, então ninguém sabe ao certo quais mãos esculpiram as frutas ou o que os restauradores posteriores adicionaram.
Antes da renovação, Dully já eram duas casas medievais espremidas juntas — uma casa fortificada pertencente à família Senarclens e, no final do século XV, uma construção vizinha pertencente a Jean de Dully. Um desenho de 1699 mostra-as unidas por uma galeria no lado sul, dois vizinhos de mãos dadas através de um estreito vão.
Darier vestiu os dois corpos de forma diferente: o corpo oriental recebeu roupas francesas do século XVII, datadas de 1844, enquanto o corpo ocidental ficou neo-gótico. Ele era um neoclassicista que acreditava que o Renascimento era 'a arquitetura que melhor se adapta ao nosso século', mas construiu uma ala gótica mesmo assim. Essa contradição é a verdadeira atração, e você pode lê-la da estrada abaixo em cinco minutos. No interior — raramente aberto — a sala de música combina uma lareira de mármore griotte vermelho com cartuchos de Vênus, Hebe e Leda; pinturas de parede inspiradas em Watteau parecem do século XVIII, mas foram pintadas nos anos 1960, uma falsificação charmosa de uma falsificação.
História
Registros mostram que uma casa fortificada com torre existia neste local em 1463, pertencente à nobre família Senarclens. No final do século XV, uma segunda construção pertencente a um certo Jean de Dully ficava lado a lado com ela. O castelo nunca foi uma única ideia — foram dois vizinhos que decidiram dar as mãos.
Por volta de 1699, uma ilustração mostra os dois corpos unidos por uma galeria no lado sul, a parte ocidental ladeada por uma torre redonda. A vila de Dully tinha 119 habitantes em 1764 — menos do que o número de quartos que um barão do tabaco mais tarde encheria com pinturas italianas. Então, nos anos 1840, Auguste-Frédéric de Meuron — 'von Bahia' — comprou a propriedade e passou seis anos transformando-a.
O ponto de viragem
Auguste-Frédéric de Meuron (1789–1852) passou cerca de vinte anos na Bahia, Brasil, administrando uma fábrica de tabaco. A riqueza que financiou a renovação de Dully quase certamente veio de uma economia de plantação construída sobre trabalho escravizado — um fato que as fachadas românticas do castelo não anunciam. De acordo com o banco de dados Swiss Castles, ele retornou à Suíça em 1837 com uma fortuna e um apelido — 'von Bahia' — que o acompanhava como a umidade tropical.
O que estava em jogo: tudo. De Meuron era um homem retornando das colônias, buscando se restabelecer na sociedade aristocrática suíça. A renovação foi sua declaração de chegada — riqueza, bom gosto, pertencimento. Ele despejou seu dinheiro brasileiro em uma transformação romântica e historicista de um castelo medieval, contratando o arquiteto de Genebra Samuel Darier — cuja participação sobrevive apenas em notas fragmentadas da família — para revestir as fachadas e reimaginar os interiores.
O ponto de virada ocorreu em 1845, quando de Meuron se casou com Elise-Augustine de Pury aos 56 anos. Eles não tiveram filhos. Tudo o que ele construiu em Dully — a fantasia, o frenesi, a fortuna — estava destinado a passar para estranhos. Ele morreu em 1852, apenas seis anos após a conclusão da renovação, deixando sua viúva sozinha em um castelo projetado para uma vida a dois que nunca se materializou completamente.
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