Monaco-Ville
1–2 horas
13€ adultos / 11€ estudantes / 8€ crianças (6–17) / Menores de 6 anos grátis
Não acessível a cadeiras de rodas — apenas escadas
Primavera (abril–junho) ou setembro para menos multidões

Introdução

Porque é que uma nação soberana colocaria dois monges armados com espadas no seu brasão de armas? A resposta está esculpida nas próprias paredes do Palácio do Príncipe do Mónaco, uma fortaleza que se tornou residência, empoleirada num promontório de calcário acima do Mediterrâneo no Mónaco — e a razão para visitar é que este não é um museu a fingir ser um palácio, mas um palácio a fingir que nunca foi uma fortaleza.

Fique na Place du Palais ao meio-dia e verá o espetáculo: carabineiros em uniformes brancos de verão a executar uma troca da guarda com precisão de relógio, turistas a pressionarem-se contra as grades de ferro, a fachada de cor creme pálido a brilhar sob uma luz tão intensa que achata todas as sombras. O edifício parece sereno, quase gentil. Lógias italianas, frescos renascentistas, uma escadaria de dupla revolução em mármore de Carrara. Tudo sussurra civilidade.

Mas aproxime-se. As paredes têm a espessura medieval, construídas para absorver o fogo dos canhões. Sob o elegante pátio existe uma cisterna grande o suficiente para sustentar mil soldados durante quase dois anos. O luxo é um disfarce — séculos de seda drapeada sobre pedra que foi concebida para o cerco, não para salas de estar. A família Grimaldi governa a partir deste rochedo desde 1297, tornando-o numa das sedes dinásticas mais antigas da Europa, e a tensão entre fortaleza e palácio é o que torna cada sala aqui interessante.

O Palácio do Príncipe abre os seus Apartamentos de Estado ao público do final de março até meados de outubro. Caminha pela Sala do Trono, a Sala Mazarin, a Galeria de Hércules — salas onde a governação real ainda acontece quando os turistas partem. É uma oportunidade rara de estar dentro dos aposentos de uma monarquia ativa, não de uma relíquia isolada. E se prestar atenção ao brasão de armas acima do portão, esses monges dir-lhe-ão exatamente como esta família obteve as chaves.

O que Ver

O Cour d'Honneur e a sua Escadaria de Mármore de Carrara

A maioria dos pátios de palácios são concebidos para impressionar à distância. Este espera até que esteja lá dentro. O Cour d'Honneur situa-se no coração do Palácio do Príncipe, rodeado por galerias com arcadas pintadas em ocre quente e dominado por uma escadaria de dupla revolução em forma de ferradura, esculpida em mármore de Carrara — a mesma pedra que Miguel Ângelo usou para a Pietà. A geometria é teatral: dois lanços sobem em espiral e convergem num único patamar, de modo que, durante ocasiões de estado, os convidados que subiam de lados opostos encontravam-se no topo num encontro coreografado. É arquitetura como direção de palco.

No verão, este pátio transforma-se completamente. A Orquestra Filarmónica de Monte Carlo atua aqui nas noites quentes, e as muralhas de pedra fechadas fazem o som ressaltar de formas que nenhuma sala de concertos consegue replicar — ouve-se o metal a refletir nas fundações genovesas do século XIII sob fachadas renascentistas. Chegue antes da Troca da Guarda das 11:55 para ver os Carabiniers du Prince com o seu uniforme branco de verão, os saltos das suas botas a baterem contra a calçada em uníssono preciso. Dura apenas dez minutos. Isso faz parte do seu encanto.

Os Apartamentos de Estado: Sala do Trono, Sala Mazarin e os 600m² de Frescos Escondidos

Eis o que torna estas salas diferentes, por exemplo, de Versalhes ou do Hofburg: este ainda é o local de trabalho de alguém. A Sala do Trono — onde o Príncipe Alberto II conduz audiências formais — contém um trono de estilo Império sob um dossel de seda vermelha, ladeado por frescos do século XVII do pintor genovês Orazio de Ferrari. A luz aqui é filtrada por cortinas pesadas, dando à folha de ouro e ao brocado um calor âmbar profundo, em vez do brilho esbranquiçado de um museu. Sente-se o peso de sete séculos de ocupação contínua.

A Sala Mazarin é mais estranha e íntima. As boiseries italianas douradas do Cardeal Mazarin — entalhes em madeira intrincados trazidos de Itália no século XVII — cobrem as paredes em painéis policromados tão detalhados que parecem têxteis congelados. Mas a verdadeira revelação surgiu em 2014, quando os restauradores começaram a remover a tinta do século XIX e descobriram mais de 600 metros quadrados de frescos renascentistas que tinham estado escondidos durante gerações. Isso equivale aproximadamente à área de dez quartos de hotel padrão, todos cobertos por imagens do século XVI que ninguém vivo tinha visto. Os restauros continuam e cada estação revela mais. Vale a pena usar o áudio-guia — explica a disposição não linear das salas, uma consequência das origens do palácio como fortaleza medieval e não como residência construída para esse fim.

O Circuito Completo: Das Muralhas da Fortaleza à Orla do Rochedo

A maioria dos visitantes fotografa a elegante fachada sul do palácio e vai-se embora. Não o faça. Dê a volta para a parte de trás, virada para o Mediterrâneo, e o edifício revela a sua verdadeira idade: fortificações medievais cruas que remontam à construção genovesa original de 1191, completas com ameias e matacães — as saliências com fendas através das quais os defensores deitavam óleo a ferver. O contraste com a frente dourada é quase desorientador, como ver um smoking por trás e encontrar armadura por baixo.

A partir daqui, siga o caminho estreito ao longo do Rochedo do Mónaco em direção ao Museu Oceanográfico. Esta caminhada de dez minutos dá-lhe a melhor perspetiva da posição impossível do palácio no topo da falésia — 60 metros acima do porto, empoleirado num esporão de calcário com apenas 800 metros de comprimento. Procure o lema dos Grimaldi esculpido na pedra: "Deo Juvante" — Com a Ajuda de Deus — uma referência à lenda de Francesco Grimaldi, que em 1297 terá tomado a fortaleza disfarçando-se de monge franciscano. Seja a história literal ou não, a família Grimaldi detém este rochedo há mais de 700 anos. Isso é mais tempo do que a maioria das nações europeias existe. Após a caminhada, os cafés na Place du Palais servem um café decente com vista para o Casino de Monte Carlo — dois quilómetros quadrados de país, visíveis num único olhar.

Procure isto

Observe atentamente o brasão de armas do Mónaco exibido na entrada do Palácio — os dois portadores do escudo são monges armados, uma referência direta ao disfarce de Francesco Grimaldi em 1297. A maioria dos visitantes passa direto sem perceber que toda a lenda fundadora da dinastia está escondida à vista de todos na heráldica.

Logística para visitantes

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Como Chegar

Apanhe as linhas de autocarro 1 ou 2 de qualquer ponto do Mónaco até à paragem Monaco-Ville, depois suba a pé pelas ruas estreitas da Cidade Velha até à Place du Palais. Se conduzir, estacione no Parking des Pêcheurs — é o parque mais próximo do Rochedo. A partir do porto, a subida é íngreme mas curta, cerca de 10-15 minutos a pé através de caminhos pedonais esculpidos na falésia.

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Horário de Abertura

Em 2026, os Apartamentos de Estado estão abertos de 30 de março a 15 de outubro. O horário normal é das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17:15, bilheteira fecha às 17:00), estendendo-se das 10:00 às 19:00 em julho e agosto. O palácio fecha totalmente de 4 a 7 de junho para o Grande Prémio de Fórmula 1, e pode fechar sem aviso prévio para eventos de estado.

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Tempo Necessário

A visita aos Apartamentos de Estado demora de 1 a 1,5 horas a um ritmo confortável. Adicione 30 minutos se quiser chegar às 11:30 para assistir à Troca da Guarda às 11:55. Uma manhã completa no Rochedo — palácio, cerimónia da guarda, um passeio por Monaco-Ville — preenche cerca de 3 horas facilmente.

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Acessibilidade

O palácio não é acessível a cadeiras de rodas — a sua estrutura do século XIII significa que as escadas são a única forma de entrar, sem alternativas de elevador. Cães-guia e animais de assistência médica são permitidos. Um folheto em Braille está disponível na entrada para visitantes com deficiência visual.

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Bilhetes e Preços

Em 2026, os bilhetes de adulto custam 13€, estudantes 11€, crianças dos 6 aos 17 anos pagam 8€, e menores de 6 anos entram grátis. A venda de bilhetes online não está disponível atualmente, por isso compre nas bilheteiras na Place du Palais. Os bilhetes não são reembolsáveis, mas são válidos durante toda a época — se o seu dia não correr como planeado, pode visitar em qualquer outra data de abertura.

Dicas para visitantes

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Sem Fotos no Interior

A fotografia é estritamente proibida no interior dos Apartamentos de Estado — a segurança vigia de perto e ser-lhe-á pedido que guarde o telemóvel. Guarde a bateria da câmara para a Place du Palais, onde as vistas panorâmicas sobre o Port Hercules e em direção ao Mediterrâneo são verdadeiramente espetaculares.

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Vista-se com Respeito

Cubra os ombros e evite roupa de praia — esta é uma residência soberana ativa, não uma ruína. A Catedral próxima, onde Grace Kelly está sepultada, impõe normas semelhantes, por isso vestir-se de forma casual-elegante serve para ambas as paragens.

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Cuidado com os seus Pertences

A Place du Palais fica cheia por volta da cerimónia da guarda às 11:55, e há relatos de furtos de malas na zona. Mantenha os objetos de valor num bolso frontal ou numa mala a tiracolo, especialmente quando a multidão se aperta para ver os Carabiniers.

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Coma no Rochedo

Antes de descer, experimente um barbagiuan — um pastel frito recheado com acelgas e ricota, tão monegasco quanto possível — num dos pequenos cafés ao longo da Rue Basse. Os preços são elevados para o que são (afinal, isto é o Mónaco), mas mais baratos do que qualquer coisa que encontrará perto do Casino de Monte Carlo.

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Chegue Cedo ou Tarde

A praça do palácio aquece sob sol direto ao meio-dia e os grupos turísticos atingem o pico entre as 11:00 e as 14:00. Venha à hora de abertura (10:00) para visitar os apartamentos com relativa tranquilidade, ou depois das 16:00, quando os autocarros já partiram e a luz suaviza sobre o porto.

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Combine com a Catedral

A Catedral do Mónaco — onde o Príncipe Rainier e Grace Kelly estão sepultados — fica a dois minutos a pé do palácio, no mesmo Rochedo. Combine os dois com os Jardins de Saint-Martin para um circuito matinal completo por Monaco-Ville sem precisar de transporte.

Onde comer

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Não vá embora sem provar

Barbagiuans — pastéis fritos recheados com acelgas, ricota, ervas e especiarias Socca — panqueca fina e salgada de farinha de grão-de-bico cozinhada em forno a lenha Stocafi — bacalhau seco estufado em molho de tomate com azeitonas, alcaparras e alho Pissaladière — tarte coberta com cebolas caramelizadas, azeitonas e anchovas Fougasse — pão doce coberto com anis e frutos secos

Chez Les Grecs

favorito local
Mediterrânica €€ star 4.9 (410) directions_walk 5 min a pé do Palácio do Príncipe

Pedir: Peixe fresco grelhado, saladas gregas com queijo feta e borrego cozinhado lentamente — é aqui que os locais comem, não os turistas.

Com 410 avaliações e uma classificação quase perfeita de 4.9, o Chez Les Grecs é um caso sério. É uma instituição do bairro há anos, servindo comida mediterrânica autêntica num ambiente sem luxos que parece genuinamente vivido.

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Horário de funcionamento

Chez Les Grecs

Segunda–Quarta 11:30 – 21:30
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Maison des Pâtes Condamine

favorito local
Massa Italiana €€ star 4.6 (443) directions_walk 2 min a pé do Palácio do Príncipe

Pedir: Massa fresca feita diariamente — experimente o pappardelle ou tagliatelle com molhos locais. O ravioli caseiro é excecional.

Localizado diretamente na Place d'Armes, no coração da zona do mercado, é aqui que os monegascos almoçam. Mais de 440 avaliações provam que é fiável, acessível e genuinamente bom — sem pretensões, apenas massa excelente.

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Horário de funcionamento

Maison des Pâtes Condamine

Segunda–Quarta 07:00 – 15:30, 18:00 – 21:30
map Mapa language Web

Maison Mer

refeição rápida
Marisco, Mediterrânica €€ star 4.9 (79) directions_walk 2 min a pé do Palácio do Príncipe

Pedir: Pesca fresca do dia, robalo grelhado, massa de marisco — tudo é proveniente dos vendedores do mercado no piso de baixo.

Escondido dentro do lendário Marché de la Condamine, o Maison Mer oferece o marisco mais fresco do Mónaco a preços de mercado. É o mais próximo que chegará de comer diretamente da pesca.

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Horário de funcionamento

Maison Mer

Segunda–Quarta 10:00 – 15:00, 17:30 – 21:30
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U Tapu

café
Café, Bar €€ star 4.8 (40) directions_walk 2 min a pé do Palácio do Príncipe

Pedir: Café e pastelaria matinal, ou um aperitivo ao fim do dia com vinho local. Comida simples e honesta que combina com a energia do mercado.

Um verdadeiro café junto ao mercado onde os locais ficam a conversar com um café de manhã e relaxam com uma bebida à noite. É onde o verdadeiro Mónaco acontece — não no palácio, mas à volta do mercado.

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Horário de funcionamento

U Tapu

Terça–Quarta 07:30 – 15:00, 18:00 – 22:00 (Fechado à segunda)
map Mapa
info

Dicas gastronômicas

  • check O Marché de la Condamine é o coração da restauração local. Visite de manhã (07:00–13:00) para produtos frescos e bancas de mercado, ou almoce na Halle Gourmande (07:00–15:30 diariamente, jantar de terça a sábado 18:00–21:30).
  • check Todos os quatro restaurantes ficam a 5 minutos a pé do Palácio do Príncipe — não precisa de carro ou táxi.
  • check O almoço é tipicamente das 12:00 às 14:30; o serviço de jantar começa por volta das 18:00. Muitos locais fecham à segunda ou terça-feira.
  • check Dinheiro é aceite em todo o lado, mas cartões são o padrão. A gorjeta não é obrigatória, mas arredondar o valor é apreciado.
  • check O mercado fechará para uma renovação de 13 meses a partir de 15 de janeiro de 2026, com os vendedores a mudarem-se para a Place d'Armes durante a construção.
Bairros gastronômicos: Monaco-Ville (Cidade Velha) — ruas estreitas históricas com restaurantes e cafés familiares Place d'Armes / Marché de la Condamine — o coração vivo da cena gastronómica do Mónaco, onde os locais almoçam e fazem compras diariamente

Dados de restaurantes fornecidos pelo Google

Contexto Histórico

A Espada de um Monge e Sete Séculos de Bluff

A história deste palácio é, na verdade, a história de uma família que não tinha razões para sobreviver — e sabia-o. Os Grimaldi eram exilados genoveses agarrados a um rochedo com pouco mais de dois quilómetros de comprimento, rodeados por potências que os poderiam ter engolido numa tarde. O seu palácio evoluiu não por ambição, mas por necessidade: primeiro como um posto militar genovês (os registos situam as suas origens em 1191, com a fortificação formal a começar por volta de 1215), depois como a improvável sede de uma dinastia que usou a arte, a diplomacia e uma coragem absoluta para permanecer soberana durante mais de setecentos anos.

O que vê hoje é um palimpsesto. Muralhas medievais escondem-se atrás de galerias renascentistas. Frescos barrocos cobrem posições de artilharia. Cada século deixou uma camada, e a mais recente — um restauro massivo iniciado em 2014 — começou a descascá-las, revelando 600 metros quadrados de pintura renascentista que alguém, a dada altura, decidiu tapar. O palácio continua a reescrever a sua própria história.

A Invasão Domiciliária que Fundou uma Dinastia

A versão que a maioria dos visitantes ouve é esta: a 8 de janeiro de 1297, um monge franciscano bateu à porta da fortaleza genovesa, pedindo abrigo do frio. Os guardas deixaram-no entrar. Era Francesco Grimaldi, alcunhado "Malizia" — o Astuto — e, uma vez lá dentro, tirou uma espada debaixo das suas vestes, sinalizou aos seus homens e tomou a fortaleza. Uma história limpa. Uma boa lenda. Está no brasão de armas, por amor de Deus.

Mas aqui está o que não bate certo. Francesco Grimaldi não ficou com a fortaleza. Perdeu-a em quatro anos. Os Grimaldi foram expulsos, regressaram, foram expulsos novamente — o rochedo mudou de mãos repetidamente ao longo do século XIV. A tomada de 1297 não foi a fundação de um estado; foi um ataque. O que realmente garantiu o governo dos Grimaldi foi algo muito menos romântico: três séculos de manobras diplomáticas exaustivas, culminando no Príncipe Honoré II, que em 1641 assinou o Tratado de Péronne com a França. Honoré tinha sido criado na corte espanhola em Milão, um intelectual culto que acumulou mais de 700 pinturas — obras de Ticiano, Dürer, Rafael — não porque amasse a arte (embora amasse), mas porque um príncipe sem uma coleção não era um príncipe. A sua aposta pessoal era existencial: se não conseguisse garantir o reconhecimento francês, o Mónaco teria sido absorvido pela Espanha ou pela Saboia. O tratado deu-lhe o título, a soberania e a sobrevivência.

Portanto, quando olhar para aqueles dois monges com espadas no portão do palácio, saiba que a verdadeira história não é sobre um disfarce inteligente numa noite de inverno. É sobre uma família que transformou um único ato de astúcia num mito fundador suficientemente poderoso para sustentar séculos de diplomacia. Os monges não estão a comemorar uma vitória. Estão a comemorar um bluff — um que ainda funciona.

O Apagamento da Revolução

Em 1793, as forças revolucionárias francesas tomaram o palácio, renomearam-no "Fort d'Hercule" e despojaram-no de tudo. O trono foi destruído. A lendária coleção de arte de Honoré II — mais de 700 pinturas — foi leiloada ou destruída. O edifício serviu como hospital militar, depois como asilo. Quando os Grimaldi regressaram em 1814, encontraram apenas uma carcaça. Grande parte do que os visitantes veem hoje nos Apartamentos de Estado data do minucioso restauro do século XIX sob Charles III, que também financiou o projeto abrindo o Casino de Monte Carlo do outro lado do porto. A proveniência exata de muitas obras de arte recuperadas permanece objeto de investigação académica contínua — algumas peças podem ser originais devolvidas, outras substituições de época. A beleza do palácio é, em parte, uma reconstrução de uma memória.

O Príncipe que Construiu o Palco

Se Francesco Grimaldi roubou o palácio e Honoré II legitimou-o, então o Príncipe Charles III (reinou de 1856 a 1889) deu-lhe um propósito para além da defesa. Enfrentando a quase falência, Charles tomou duas decisões que definiram o Mónaco moderno: abriu o casino em Monte Carlo e abriu os Apartamentos de Estado do palácio aos visitantes. A famosa escadaria de mármore de Carrara do pátio, a Galeria de Hércules com frescos, a Sala do Trono com o teto do século XVII de Orazio de Ferrari — tornaram-se não apenas salas reais, mas um espetáculo público, uma forma de provar à Europa que este pequeno estado tinha peso cultural. Charles compreendeu algo que os seus antepassados não tinham: a maior arma defensiva do palácio não eram as suas muralhas. Era a sua história.

Desde 2014, os restauradores têm vindo a descobrir mais de 600 metros quadrados de frescos renascentistas escondidos sob séculos de tinta no interior do palácio — mas como o edifício continua a ser uma residência real ativa em vez de um museu com clima controlado, os especialistas ainda estão a debater quanto expor e quanto deixar selado para preservação, uma decisão que pode levar décadas a resolver.

Se estivesse exatamente neste local a 8 de janeiro de 1297, a noite é amarga e a fortaleza genovesa acima de si está iluminada por algumas lâmpadas de óleo que tremeluzem ao vento vindo do mar. Uma figura com vestes franciscanas castanhas arrasta-se em direção ao portão principal, cabeça baixa, mãos postas. Ouve o raspar do ferrolho a ser puxado. Depois — metal contra metal, um grito engolido pelo vento, o trovão súbito de botas sobre pedra enquanto homens armados entram pela brecha. O cheiro a ar salgado frio mistura-se com ferro e suor. Em menos de uma hora, a fortaleza pertence a Francesco "Malizia" Grimaldi, e o bluff mais antigo da história europeia começou.

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Perguntas frequentes

Vale a pena visitar o Palácio do Príncipe do Mónaco? add

Sim, especialmente se tiver interesse em saber como uma fortaleza genovesa do século XIII se tornou a casa da família real mais antiga da Europa. Os Apartamentos de Estado são surpreendentemente íntimos — frescos dourados na Sala do Trono, pintados por Orazio de Ferrari, uma Sala Mazarin forrada com entalhes em madeira italiana rara e 600 metros quadrados de frescos renascentistas redescobertos apenas em 2014 sob camadas de tinta do século XIX. Não tem a escala de Versalhes, mas é muito mais pessoal, e o facto de o Príncipe Alberto II ainda viver e governar aqui confere-lhe uma eletricidade que falta aos palácios-museus.

Quanto tempo é necessário no Palácio do Príncipe do Mónaco? add

Reserve de 1 a 1,5 horas para a visita aos Apartamentos de Estado. Adicione mais 30 minutos se quiser chegar às 11:30 para assistir à Troca da Guarda às 11:55 — uma verdadeira cerimónia militar da Compagnie des Carabiniers, não um espetáculo para turistas. O bairro circundante de Monaco-Ville, com a Catedral onde Grace Kelly está sepultada e o Museu Oceanográfico, pode facilmente preencher meio dia.

Como chego ao Palácio do Príncipe a partir do Mónaco? add

Apanhe as linhas de autocarro 1 ou 2 de qualquer ponto do Principado até à paragem Monaco-Ville, perto do Rochedo. Se vier a pé do porto, prepare-se para uma subida íngreme até à cidade antiga — o palácio situa-se num promontório no topo de uma falésia, cerca de 60 metros acima do nível do mar. Quem conduz deve estacionar no Parking des Pêcheurs, o parque público mais próximo do palácio.

Qual é a melhor altura para visitar o Palácio do Príncipe do Mónaco? add

Tente ir numa manhã de dia útil em abril, maio ou setembro — o palácio está aberto, as multidões são menores do que em julho e agosto, e a luz mediterrânica na escadaria de mármore de Carrara no Cour d'Honneur é extraordinária. Se visitar no verão, os concertos filarmónicos noturnos transformam completamente a acústica do pátio. Evite a primeira semana de junho: o palácio fecha para o Grande Prémio de Fórmula 1 (4 a 7 de junho de 2026).

É possível visitar o Palácio do Príncipe do Mónaco gratuitamente? add

Pode explorar a Place du Palais e assistir à Troca da Guarda diária às 11:55 de forma totalmente gratuita. A entrada nos Apartamentos de Estado custa 13€ para adultos, 11€ para estudantes e 8€ para crianças dos 6 aos 17 anos, sendo gratuita para menores de 6 anos. As vistas exteriores — as muralhas fortificadas que remontam aos anos 1200, a vista panorâmica sobre o porto em direção ao Casino de Monte Carlo — já valem a subida.

O que não devo perder no Palácio do Príncipe do Mónaco? add

Três coisas que a maioria dos visitantes ignora. Primeiro, os frescos renascentistas recentemente descobertos — 600 metros quadrados de pintura do século XVI escondidos durante séculos sob decorações posteriores, ainda a ser cuidadosamente restaurados. Segundo, caminhe até à parte de trás do palácio, virada para o mar: as fortificações medievais originais com ameias e matacães são um contraste cru e silencioso perante a frente dourada. Terceiro, olhe para baixo no Cour d'Honneur e pense que, sob os seus pés, existe uma enorme cisterna concebida para abastecer 1.000 soldados com água durante um cerco de 648 dias.

É permitida fotografia no interior do Palácio do Príncipe do Mónaco? add

Não — a fotografia é estritamente proibida no interior dos Apartamentos de Estado. A segurança é atenta e ser-lhe-á pedido que guarde as câmaras e telemóveis durante a visita. No exterior, na Place du Palais, pode fotografar livremente, incluindo a cerimónia da Troca da Guarda.

O Palácio do Príncipe do Mónaco é acessível a cadeiras de rodas? add

Infelizmente, não. A construção do palácio no século XIII significa que a visita ao interior só é acessível através de escadas, sem alternativas de elevador ou rampa. Cães-guia e animais de assistência médica são permitidos, e um folheto em Braille está disponível na entrada para visitantes com deficiência visual.

Fontes

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