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A famosa onda dos estádios no México começou aqui em 1984, dentro da fortaleza universitária da UANL, onde a massa adepta dos Tigres transforma San Nicolás em ritual.
Foto: Wotancito · CC BY-SA 4.0
Um estádio universitário em Monterrei, México, ajudou a transformar uma cidade de basebol numa cidade de futebol e, de algum modo, tornou-se parte do folclore dos Mundiais. O Estadio Universitario, mais conhecido como El Volcán, vale o seu tempo pelo ruído, sim, mas também pela história mais estranha escondida sob o betão: um projeto de campus sem dinheiro, mantido vivo por doadores, rifas, touradas e uma ideia audaciosa que deu aos Tigres UANL uma casa e à cidade um novo pulso.
O cenário importa. O Estadio Universitario fica em San Nicolás de los Garza, dentro da Grande Monterrei, onde a Ciudad Universitaria empurrou a cidade para norte e amarrou ensino superior, indústria e desporto num acordo muito à Monterrei.
Registos da UANL mostram que o projeto já ganhava forma em 1959, em terreno ligado à própria criação da cidade universitária. O que se ergueu aqui nunca foi apenas um recinto com lugares e holofotes; foi uma declaração pública em betão armado, construída para uma região que gosta de ambições em grande.
Venha a um jogo e sente a história com os ouvidos antes dos olhos. O som desce pelas bancadas como pedra de pedreira a soltar-se, e a tigela ganha a alcunha da forma honesta: fazendo até uma noite rotineira de liga parecer ligeiramente vulcânica.
História
Histórias universitárias documentadas descrevem o Estadio Universitario como um projeto que quase falhou mais do que uma vez. No início da década de 1960, o dinheiro era tão escasso que o desenho foi reduzido, as filas superiores foram removidas e a bancada inacabada teve de se sustentar com touradas, rifas, charreadas e espetáculos de variedades, enquanto Monterrei esperava para ver se o lugar se tornaria um monumento ou um embaraço caríssimo.
Depois, o futebol mudou o argumento. O estádio foi inaugurado oficialmente em 30 de maio de 1967, com o Monterrey a empatar 1-1 com o Atlético de Madrid, e os registos mostram que Mariano Ubiracy marcou o primeiro golo nessa noite. A partir daí, o edifício deixou de parecer uma aposta. Tinha encontrado a sua razão de ser.
O ponto de viragem
O ponto de viragem pertence ao engenheiro Gerardo Torres, diretor da área de planeamento e manutenção da UANL. Segundo a história arquivística da UANL, em 13 de novembro de 1964 o estádio estava já bastante avançado, mas continuava sem fundos suficientes, o que significava que Torres olhava para a possibilidade de uma tigela de betão meio acabada se transformar num fracasso público ligado ao seu nome e ao projeto mais amplo.
A resposta foi ousada e pessoal: criar uma equipa universitária de futebol na segunda divisão e usar as receitas dos jogos para ajudar a salvar o estádio. Isso mudou a questão de logística de construção para identidade cívica. Uma decisão. Tudo o que veio depois parece diferente.
Relatos institucionais documentados ligam essa ideia ao caminho que levou os Tigres UANL ao estádio em 1967. Ainda se consegue ler a solução na própria arquitetura: os palcos foram vendidos através de direitos ligados a doações e, antes da inauguração, a universidade chegou a fazer um sorteio no relvado para os atribuir, transformando dinheiro privado em estrutura visível.
Sim, se lhe interessar mais a cultura do futebol do que uma arquitetura polida. Este é o El Volcan, a velha tigela de betão dos Tigres dentro da Ciudad Universitaria da UANL, e o que importa aqui é o barulho, a multidão de amarelo e azul e a sensação de que o estádio ainda pertence à cidade, e não a um bairro corporativo. Num dia sem jogo, essa carga emocional desaparece depressa.
Para um jogo, reserve entre 3,5 e 5 horas de porta a porta. Isso inclui chegar cedo, passar pelos controlos de segurança, fazer o percurso desde a estação Universidad ou do estacionamento e ter tempo para absorver o ambiente antes do pontapé de saída. Se for só para tirar fotos do exterior, 20 a 30 minutos chegam.
A forma mais fácil é apanhar a Linha 2 do Metrorrey até à estação Universidad e depois caminhar 10 a 15 minutos até à Ciudad Universitaria. A partir do centro de Monterrei, estações como Zaragoza, Padre Mier e Cuauhtemoc ligam diretamente para norte. Em grandes noites dos Tigres, o metro costuma ser bem menos penoso do que conduzir no trânsito de San Nicolas.
A noite de jogo é o momento certo, sobretudo se houver partida dos Tigres ou do Tigres Femenil. O início da noite funciona melhor porque a luz suaviza o betão, a multidão engrossa em torno da Puerta 13 e o estádio começa a soar como se a alcunha fizesse todo o sentido. As visitas durante o dia servem para fotos, mas falham a razão pela qual as pessoas falam deste lugar.
Normalmente pode ver o exterior e os acessos do campus de graça, mas a entrada no estádio depende de eventos. Não encontrei qualquer calendário oficial de visitas públicas nem uma política permanente de entrada gratuita no interior. Para os jogos, os bilhetes são vendidos através dos canais oficiais dos Tigres e da Boletomovil, com FanID obrigatório para entrar.
Não perca o percurso desde a estação Universidad, porque a caminhada diz tanto sobre o lugar como a própria bancada circular. Lá dentro, repare nas bancadas antigas e inclinadas, nos palcos financiados por doações que ainda mostram como o estádio foi pago, na placa do 50.º aniversário e na vista para a Sierra Madre do lado oeste, se a luz estiver limpa. E ouça: aqui, a verdadeira arquitetura é o som.
Porque a bancada circular é redonda e a multidão tem o hábito de a fazer parecer em erupção. O uso do clube e o uso local favorecem claramente El Volcan e El Uni, enquanto a evidência atual para 'El Miadero' é fraca. A alcunha combina tanto com a acústica como com a forma.
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