Basílica De São João E São Paulo

Veneza, Itália

Basílica De São João E São Paulo

O 'Panteão' de Veneza guarda os túmulos de 25 doges numa igreja dominicana viva — e uma obra-prima de Verrocchio na praça lá fora.

1-2 horas

Introdução

Algures dentro da Basílica De São João E São Paulo, em Veneza, Itália, um nicho de mármore guarda uma urna com a pele esfolada de um homem — não é metáfora, nem fragmento, mas a pele real de um comandante militar veneziano, roubada de volta de Constantinopla há mais de quatro séculos. Este é o tipo de igreja que San Zanipolo é: um lugar que guarda o seu luto em relíquias e a sua política em pedra, e que faz as duas coisas desde o século XIII. Se visitar apenas uma igreja em Veneza além de San Marco, que seja esta.

Atravesse o portal gótico e a escala atinge-o antes de qualquer outra coisa. A nave estende-se por cerca de 100 metros — mais comprida do que um campo de futebol — sob abóbadas de tijolo que sobem para a sombra. A luz entra de forma desigual: pálida e fria através do grande vitral no transepto sul, quente e âmbar pelas lancetas menores ao longo dos corredores. O ar cheira a pedra fria e cera de vela.

Vinte e cinco doges estão sepultados aqui, com os seus monumentos a subir pelas paredes em mármore e bronze, transformando o interior em algo entre uma catedral e um arquivo de Estado. Os venezianos ainda chamam ao lugar San Zanipolo, a sua compressão dialetal de Santi Giovanni e Paolo. E aqui vai um detalhe que a maioria dos visitantes perde: os Giovanni e Paolo do nome não são os apóstolos. São mártires romanos obscuros do século IV. A confusão persiste há setecentos anos, o que parece adequado para um edifício que sempre foi mais complicado do que parece à primeira vista.

Os dominicanos administram o lugar hoje, como fazem desde o início. Há missa todos os dias. Os funerais de venezianos proeminentes continuam a acontecer sob estas abóbadas. O campo lá fora guarda a estátua equestre de Bartolomeo Colleoni, de Verrocchio — um capitão mercenário que queria o seu monumento na Piazza San Marco. Veneza ficou com o dinheiro e pôs a estátua aqui. Até a praça tem um truque escondido.

O Que Ver

A Nave e os Túmulos dos Doges

Veneza sepultou aqui vinte e cinco dos seus doges. Ao entrar, a escala atinge-o antes da história — a nave estende-se por cerca de 100 metros, mais comprida do que um campo de futebol, sustentada por colunas cilíndricas de pedra tão espessas que duas pessoas de braços dados não conseguiriam abraçar uma só. Vigas de amarração de madeira atravessam os espaços entre elas, deixadas honestamente à vista porque este esqueleto gótico maciço assenta em lama lagunar e precisa de toda a ajuda estrutural possível. Depois os olhos habituam-se, e os túmulos aparecem: parede após parede de sarcófagos esculpidos, monumentos funerários empilhados em duas e três alturas, cada um a representar a última tentativa de um doge de alcançar permanência. O Monumento ao Doge Andrea Vendramin, um cenário renascentista completo em mármore, partilha o espaço com túmulos góticos mais antigos onde figuras de armadura jazem rígidas sob arcos ogivais. O efeito é menos museu e mais discussão em pedra entre séculos sobre a forma como o poder deve ser lembrado. A luz cai de maneira irregular — fraca perto da entrada, depois mais nítida à medida que avança para o cruzeiro, onde as altas janelas da abside põem tudo em foco. Caminhe devagar. O silêncio aqui dentro absorve os passos como as paredes absorvem os séculos.

Nave interior da Basílica De São João E São Paulo em Veneza, Itália, com altos arcos góticos, capelas e uma longa nave central.
Monumento funerário ao Doge Giovanni Mocenigo no interior da Basílica De São João E São Paulo em Veneza, Itália, esculpido em pedra branca contra o interior da igreja.

Os Vitrais e a Capela do Rosário

O transepto sul guarda uma das sobrevivências mais raras de Veneza: um vitral monumental feito em Murano no final do século XV, quando a maior parte das igrejas venezianas dependia de vidro simples e superfícies pintadas para a cor. O sol da tarde transforma-o em algo quase agressivo — vermelhos, azuis e dourados a inundar o chão de pedra numa cidade que normalmente reserva o seu vidro para lustres e peças de mesa. A maior parte dos visitantes fica junto ao altar e olha em frente. Fique no cruzeiro e olhe antes para o lado. A Capela do Rosário, reconstruída depois de um incêndio a ter devastado em 1867, oferece um tipo diferente de intensidade. As pinturas de teto de Veronese sobreviveram — composições ricas e teatrais que puxam o olhar para cima, para um redemoinho de vestes e nuvens. O ambiente muda do recolhimento gótico austero da nave para algo mais quente e envolvente, quase barroco na ambição de esmagar o visitante. Por cima da porta da capela, um mostrador de relógio de 24 horas continua a marcar o tempo num formato por que a maior parte das pessoas passa sem reparar. Procure-o. É um daqueles pequenos detalhes físicos que lembram que este edifício segue o seu próprio tempo há mais tempo do que o seu país provavelmente existe.

O Campo e a Volta por Trás

A maior parte dos visitantes fotografa a fachada e entra. Faça o contrário — fotografe a parte de trás e demore-se no campo. A praça exterior é um dos espaços abertos mais amplos de Veneza, o que lhe dá algo que quase nenhuma outra igreja veneziana oferece: uma perspetiva longa. O monumento equestre em bronze de Colleoni, de Verrocchio, domina o campo, um capitão mercenário congelado a meio da sua fanfarronice a cavalo desde a década de 1480, com a fachada renascentista ornamentada da Scuola Grande di San Marco como pano de fundo. A frente da própria basílica é de tijolo inacabado, severa e maciça, com sarcófagos de doges embutidos na parede para os quais quase ninguém olha — incluindo o túmulo de Jacopo Tiepolo, o doge cujo sonho em 1234 terá levado os dominicanos a receberem este terreno pantanoso. Mas a verdadeira descoberta está na parte de trás. Passe ao longo do flanco da igreja para ver do exterior as absides poligonais agrupadas e as janelas góticas altíssimas, uma vista que os guias de arquitetura veneziana destacam repetidamente e que quase ninguém se dá ao trabalho de procurar. A abside traseira é onde o edifício deixa de representar o seu dever cívico e mostra a sua alma estrutural — pura elevação gótica tardia, tijolo vermelho contra o céu, sem revestimento de mármore, sem multidões.

Estátua equestre de Bartolomeo Colleoni ao lado da Basílica De São João E São Paulo em Veneza, Itália, erguida no Campo Santi Giovanni e Paolo.
Procure isto

Olhe para a Cappella del Rosario e encontre o vitral dos Vivarini — recentemente restaurado em 2021 — cujas cores mudam de forma dramática conforme o ângulo da luz do dia. A maioria dos visitantes passa sem inclinar a cabeça o suficiente para apanhar a composição completa.

Logística para visitantes

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Como Chegar

O vaporetto da linha 5.2 até à paragem Ospedale deixa-o praticamente na beira do campo. Desde Rialto, são 8 minutos a pé, passando por Campo Santa Maria Formosa — siga as indicações para "San Zanipolo", o nome que os venezianos realmente usam. Desde San Marco, conte com 10 minutos a pé; da estação Santa Lucia, ou caminha 25 minutos ou apanha diretamente a linha 5.2.

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Horário de Abertura

Em 2026, a basílica abre de segunda a sábado das 9:00 às 17:45, e aos domingos e feriados das 12:00 às 17:45. No Natal, na Páscoa e a 1 de janeiro, o horário é reduzido para 12:30–17:30. As visitas podem ser interrompidas sem aviso por causa de batizados, casamentos e funerais — consulte a página inicial (santigiovanniepaolo.it) na manhã da sua visita, sobretudo durante a Semana Santa.

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Tempo Necessário

Um circuito rápido pelos túmulos dos doges e pelo políptico de Bellini leva 20–30 minutos. Uma visita em condições — demorando-se no teto de Veronese na Capela do Rosário e lendo os monumentos funerários como um quem é quem do poder veneziano — leva 45–60 minutos. As visitas guiadas costumam ocupar 90 minutos, o que já diz bastante sobre tudo o que se perde quando se vai com pressa.

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Acessibilidade

O campo em si é acessível a cadeiras de rodas, mas a igreja só o é parcialmente: a entrada principal tem dois degraus, a lateral um para subir e outro para descer, e a Capela do Rosário acrescenta mais alguns. Chegue de vaporetto 5.2 até Ospedale — o barco acomoda uma cadeira de rodas de cada vez. O Comune di Venezia publica um percurso sem barreiras desde Ospedale, ao longo de Fondamente Nove e pela Calle delle Cappuccine até ao campo, evitando por completo a subida de pontes.

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Custo e Bilhetes

Em 2026, a entrada é uma doação obrigatória de €3.50 (€1.50 para estudantes entre os 13 e os 25 anos, €2.00 por pessoa para grupos de 15+ com guia licenciado). Crianças com menos de 12 anos, residentes de Veneza, visitantes com deficiência e um acompanhante, e padres entram gratuitamente. Não existe reserva antecipada — paga-se à porta. O Chorus Pass e o Venice Pass não são aceites aqui.

Dicas para visitantes

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Código de Vestuário Aplicado

Ombros descobertos, calções muito curtos e chapéus não o vão levar além da entrada — esta é uma paróquia dominicana ativa, não um museu. Vista-se de forma adequada antes de chegar; as lojas mais próximas ficam a alguma distância e são caras.

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Sem Flash nem Tripés

É permitida fotografia pessoal, mas flash, tripés e qualquer coisa com aspeto profissional são proibidos sem exceção. Se quiser captar o teto da Capela do Rosário, leve uma objetiva luminosa ou mãos firmes — a luz aqui dentro recompensa mais a paciência do que o equipamento.

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Cuidado com os Bolsos

A polícia de Veneza reportou 50 detenções por carteirismo no início de 2025, concentradas em pontos de estrangulamento do trânsito e locais onde as pessoas param para tirar fotografias. O percurso entre Rialto e San Zanipolo reúne os dois fatores — mantenha os sacos fechados e o telefone fora dos bolsos traseiros, sobretudo nas pontes.

restaurant
Coma no Campo

A Rosa Salva, mesmo na praça, serve pastelaria veneziana e chocolate quente com zaletti por poucos euros — peça ao balcão, de pé, como um local. Para cicchetti e um ombra de vinho, entre na a la Scuela ou na alla Rampa, mais para dentro de Castello, onde a clientela continua a ser maioritariamente veneziana. Para um capricho, reserve com antecedência na Osteria alle Testiere, uma sala de marisco recomendada pelo Michelin a dez minutos a sul, com apenas cerca de dez mesas.

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Luz da Manhã, Menos Multidões

Chegue às 9:00 num dia útil e quase terá a nave só para si — aos domingos os visitantes não entram antes do meio-dia. A luz da manhã através dos vitrais dos Vivarini, restaurados em 2021, justifica o arranque cedo.

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Não Salte a Praça

O campo lá fora é metade da experiência: o Colleoni em bronze de Verrocchio — o mercenário que queria a sua estátua na Piazza San Marco até Veneza lhe dar a volta — e a fachada em trompe-l'œil da Scuola Grande di San Marco, que ainda serve de entrada para o hospital da cidade. Reserve 15 minutos só para a praça.

Onde comer

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Não vá embora sem provar

Sarde in saor — sardinhas agridoce com cebolas, passas e pinhões Baccalà mantecato — bacalhau salgado batido, geralmente servido sobre polenta ou tosta Pasta al nero di seppie — massa espessa ou massa fresca de ovo com tinta de lula Spaghetti alle vongole — esparguete com amêijoas-littleneck Bigoli in salsa — massa grossa enrolada à mão com anchovas e cebolas Fegato alla veneziana — fígado de vitela com cebolas, normalmente servido com polenta Cicchetti — pequenos petiscos de bar venezianos, comidos de pé com um ombra ou spritz

El Magazen

alta gastronomia
Marisco veneziano contemporâneo €€ star 4.8 (975) directions_walk 3 min a pé

Pedir: Comece com as sardinhas fritas, depois passe para o menu de degustação ou para os gnocchi da casa. As entradas criativas de marisco mostram verdadeira técnica sem pretensão.

Esta é a opção mais polida e guiada pelo chef perto da basílica: pequena, à beira do canal, e elogiada de forma consistente pela apresentação elegante e pelo peixe fresco. É onde os locais levam os convidados que querem mesmo impressionar.

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Horário de funcionamento

El Magazen

Segunda-feira 12:00 – 2:00 PM, 6:30 – 10:00 PM; Terça-feira
map Mapa language Web

CARANTO | Wine bar

favorito local
Bar de vinhos e cicchetti €€ star 4.9 (233) directions_walk 2 min a pé

Pedir: Peça uma seleção de cicchetti: baccalà mantecato, sarde in saor e qualquer marisco que esteja fresco nesse dia. Acompanhe com um copo escolhido da sua sólida carta de vinhos.

Um verdadeiro bacaro veneziano onde os locais realmente bebem e comem, não uma armadilha para turistas. A classificação de 4,9 em 233 avaliações mostra que este sítio é autêntico: íntimo, genuíno e suficientemente perto da basílica para entrar entre visitas.

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Horário de funcionamento

CARANTO | Wine bar

Segunda-feira 4:30 PM – 12:30 AM; Terça-feira
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Da Mario & I Fioi

refeição rápida
Bar e café veneziano €€ star 4.8 (141) directions_walk 2 min a pé

Pedir: Venha pelo cappuccino e cornetto ao pequeno-almoço, ou peça um tramezzino e um spritz para um almoço rápido. Aqui trata-se de combustível, não de uma refeição de destino.

Mesmo na rua principal perto da basílica e aberto cedo, é perfeito para o pequeno-almoço antes de explorar ou para um almoço rápido entre igrejas. É onde os locais tomam café e comem qualquer coisa, não onde os turistas ficam horas.

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Horário de funcionamento

Da Mario & I Fioi

Segunda-feira 7:00 AM – 7:00 PM; Terça-feira
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Trattoria Bandierette

favorito local
Veneziano tradicional €€ star 4.7 (1165) directions_walk 4 min a pé

Pedir: Fique pelos clássicos venezianos: spaghetti alle vongole, tagliatelle de marisco ou qualquer peixe fresco que esteja no quadro. Termine com uma sobremesa caseira.

Mais de 1.100 avaliações com 4,7 estrelas mostram que este lugar tem consistência. É o tipo de trattoria que serve os mesmos clientes do bairro ano após ano: genuína, sem pretensões e fiavelmente boa.

schedule

Horário de funcionamento

Trattoria Bandierette

Segunda-feira 12:00 – 3:00 PM, 6:30 – 10:00 PM; Terça-feira
map Mapa language Web
info

Dicas gastronômicas

  • check O almoço decorre mais ou menos entre as 12:00 e as 14:30, e o jantar entre as 19:00 e as 22:00. Os restaurantes costumam fechar entre o serviço de almoço e o de jantar.
  • check Muitas trattorie de bairro fecham à quarta ou à quinta-feira; confirme antes.
  • check Cicchetti + ombra (pequeno copo de vinho) ou spritz é o ritual de petisco mais veneziano e a forma mais barata de comer bem.
  • check Tramezzini (sandes de pão branco macio) são um clássico do almoço rápido veneziano, disponíveis em bares e cafés.
  • check Veneza não tem mercados alimentares mesmo ao lado da basílica; o mais próximo é o Mercato di Rialto, a cerca de 12–15 minutos a pé.
Bairros gastronômicos: Calle Larga Giacinto Gallina — a principal rua pedonal perto da basílica, ladeada por bares, cafés e pequenos restaurantes Barbaria de le Tole — uma rua lateral mais calma com trattorie locais Campo Santi Giovanni e Paolo — a própria praça, onde pode comer e observar as pessoas

Dados de restaurantes fornecidos pelo Google

Contexto Histórico

Onde Veneza Sepultou o Seu Poder

San Zanipolo começou com um sonho — ou assim conta a história. A lenda diz que, em 1234, o doge Jacopo Tiepolo viu pombas brancas e anjos a pairar sobre um pântano no bairro de Castello e doou o terreno alagadiço aos frades dominicanos. Acredite-se ou não na visão, o resultado documentado é real: os dominicanos drenaram o terreno e começaram a construir. A igreja que acabaram por concluir, consagrada em 14 de novembro de 1430, tornou-se a segunda igreja de Estado da república depois de San Marco — o lugar onde Veneza encenava o seu poder em mármore, pintura e cerimónia.

Mas San Zanipolo nunca foi apenas uma sala funerária. Em 1682, o Estado veneziano ordenou a demolição do coro original para abrir espaço a rituais cívicos mais grandiosos. Uma igreja cuja construção levara quase dois séculos foi mutilada no seu centro litúrgico para que a república pudesse montar funerais mais impressionantes. Essa tensão — entre espaço sagrado e teatro político — atravessa todos os séculos da vida do edifício.

A Pele na Parede

À superfície, a história parece simples. San Zanipolo é o Panteão de Veneza: os doges repousam aqui em filas, com túmulos decorados pelos melhores escultores que o dinheiro podia contratar. Os visitantes percorrem a nave lendo nomes e datas, e a impressão é a de um enterro de Estado ordeiro e digno. Uma igreja memorial para homens que exerceram o poder e morreram nas suas camas.

Mas um monumento no corredor direito não guarda um doge. Guarda um busto, uma inscrição e um nicho com uma urna que contém os restos de Marcantonio Bragadin. Em 1571, Bragadin comandava a guarnição veneziana em Famagusta, no Chipre, resistindo a um cerco otomano durante quase um ano. Quando a cidade finalmente se rendeu, o comandante otomano Lala Mustafa Pasha prometeu passagem segura — e depois quebrou o acordo. Bragadin foi torturado durante dias e esfolado vivo na praça pública. A sua pele foi recheada com palha e exibida pelas ruas. O que estava em jogo não era apenas a vida de um homem, mas toda a pretensão de Veneza ao Mediterrâneo oriental, e a república perdeu ambos no mesmo dia.

A viragem veio anos depois. Segundo a maioria dos relatos, um agente veneziano roubou a pele do arsenal de Constantinopla por volta de 1580 — embora os estudiosos ainda discutam se o roubo aconteceu em 1575 ou mais tarde, e se foi um ato isolado ou uma operação de Estado. A pele chegou a San Zanipolo, onde foi colocada atrás de um busto de mármore de Bragadin. Veneza tinha perdido Chipre para sempre. Mas recuperara o seu mártir, e a basílica tornou-se o lugar onde um fracasso imperial foi reescrito como resistência sagrada.

Saber isto muda a forma como se olha para o corredor direito. Aquelas paredes não guardam apenas doges. Guardam a prova física daquilo que Veneza estava disposta a recuperar, conservar e venerar. A urna atrás do busto de Bragadin ainda contém os seus restos. O monumento é pequeno, fácil de ignorar. A maioria das pessoas ignora-o.

Fundação Dominicana (1234–1430)

Os dominicanos passaram quase duzentos anos a construir a sua igreja. Fra Benvenuto da Bologna e Fra Nicolò da Imola supervisionaram a grande ampliação concluída em 1368, transformando uma estrutura inicial modesta numa das maiores igrejas góticas de Veneza. Bartolomeo Bon acrescentou o portal de mármore entre 1459 e 1461. A consagração em 14 de novembro de 1430 — quase dois séculos depois da doação de Tiepolo — oficializou aquilo que a cidade já sabia: era aqui que teriam lugar os funerais de Estado venezianos.

Rutura Napoleónica e Renascimento Paroquial (1806–Presente)

A supressão das ordens religiosas por Napoleão, em 18 de junho de 1806, pôs fim da noite para o dia à vida dominicana em San Zanipolo. O convento tornou-se um hospital militar — mais tarde o Ospedale Civile da cidade, ainda em funcionamento ao lado. A igreja foi restabelecida como paróquia em 24 de outubro de 1810, e os dominicanos voltaram a oficiar em 29 de maio de 1856, embora nunca tenham recuperado o convento. Hoje, os frades mantêm um calendário litúrgico completo, visitas noturnas à luz de velas e programas de catequese pela arte, mantendo a basílica ligada à vida do bairro de Castello e não apenas ao turismo.

O grande vitral do transepto sul é tradicionalmente atribuído a cartões de Bartolomeo Vivarini, mas o historiador de arte Giorgio Fossaluzza defendeu que a secção superior deve ser reatribuída a Giovanni Mansueti — um debate que continua em aberto, sem consenso à vista.

Se estivesse dentro da Capela do Rosário na noite de 15 de agosto de 1867, veria o fogo a subir pelo teto de madeira ornamentado e ouviria o estalar das molduras douradas a abrirem-se com o calor. O Martírio de São Pedro Mártir, de Ticiano — uma das pinturas mais célebres de Veneza — está a arder diante de si, com a tela a encarquilhar e a ficar negra. O fumo enche a nave enquanto voluntários correm com baldes de água dos canais e, de manhã, a capela é uma carcaça carbonizada. Obras-primas que levaram décadas a pintar desaparecem em poucas horas.

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Perguntas frequentes

Vale a pena visitar a Basílica De São João E São Paulo? add

Sim — esta é a resposta de Veneza ao Panthéon de Paris, uma igreja onde 25 doges estão sepultados e onde a República celebrava os seus funerais de Estado mais solenes. A escala, por si só, justifica a visita: uma nave alta o bastante para engolir um edifício de cinco andares, um políptico de Bellini ainda na sua moldura original e vitrais feitos em Murano nos anos 1470 que inundam o transepto de cor. Junte a isso o campo lá fora — o monumento equestre em bronze de Colleoni, de Verrocchio, e a fachada da Scuola Grande di San Marco fazem desta praça um dos conjuntos cívicos mais fortes de Veneza.

Quanto tempo é preciso na Basílica De São João E São Paulo? add

Conte com 45 a 60 minutos para uma visita sólida, ou 75 a 90 se quiser demorar-se nos túmulos dos doges e na Capela do Rosário. Uma passagem rápida leva cerca de 20 minutos, mas perderia os vitrais no transepto e o políptico de Bellini. Reserve mais 15 minutos para o próprio campo — a estátua de Colleoni e a fachada da Scuola Grande merecem uma volta sem pressa.

Como chego à Basílica De São João E São Paulo a partir de Rialto? add

Vá a pé — são cerca de 8 minutos, passando por Campo San Lio e por Santa Maria Formosa. Da estação ferroviária de Santa Lucia, apanhe o vaporetto da linha 5.2 até à paragem Ospedale, que o deixa a poucos passos do campo. Desde San Marco, são mais ou menos 10 minutos a pé, ou pode apanhar a linha 4.1 em direção a Fondamente Nove.

É possível visitar a Basílica De São João E São Paulo gratuitamente? add

A entrada exige uma doação de €3.50, com tarifa reduzida de €1.50 para estudantes entre os 13 e os 25 anos. Crianças com menos de 12 anos, residentes do Município de Veneza, visitantes com deficiência motora e um acompanhante, bem como padres ou religiosos, entram gratuitamente. O Chorus Pass e o Venice Pass não funcionam aqui — esta é uma igreja dominicana independente, fora de qualquer esquema de bilhete combinado.

Qual é a melhor hora para visitar a Basílica De São João E São Paulo? add

As manhãs de dias úteis logo após a abertura às 9:00 oferecem a melhor luz no transepto e menos multidões. O vitral — um dos raros painéis monumentais do século XV ainda preservados em Veneza — atinge o seu auge quando a luz direta entra em cheio, por isso uma manhã clara é o ideal. Aos domingos, as visitas turísticas só começam às 12:00 por causa das missas da manhã. Se conseguir organizar-se, a basílica realiza visitas noturnas à luz de velas todos os meses — a igreja parece quase ter sido desenhada para pouca luz, e as sombras dos túmulos mudam de forma dramática.

O que não devo perder na Basílica De São João E São Paulo? add

Três coisas por que a maioria dos visitantes passa sem reparar: o sarcófago de Tiepolo encaixado na fachada antes mesmo de entrar, a inscrição no primeiro arco à esquerda perto do órgão que data a reconstrução de 1368, e o relógio de 24 horas por cima da porta da Capela do Rosário. No interior, o Políptico de São Vicente Ferrer, de Giovanni Bellini, ainda conserva a intensidade original do fundo dourado. E não salte o exterior traseiro — dê a volta para ver as absides góticas agrupadas, uma vista que os autores sobre arquitetura veneziana destacam repetidamente, mas que quase nenhum turista se dá ao trabalho de procurar.

Pelo que é conhecida a Basílica De São João E São Paulo? add

Os venezianos chamam-lhe San Zanipolo, e serviu como igreja de Estado da República depois de San Marco — o lugar onde os doges recebiam os seus ritos fúnebres a partir do século XIII. Guarda 25 túmulos ducais, uma capela reconstruída após um incêndio em 1867 que destruiu obras de Ticiano e Bellini, e um nicho com a pele esfolada de Marcantonio Bragadin, o comandante que defendeu Famagusta contra os otomanos em 1571. A basílica não é dedicada aos apóstolos João e Paulo, como muitos visitantes supõem, mas a dois mártires romanos menos conhecidos com o mesmo nome.

A Basílica De São João E São Paulo é acessível a cadeiras de rodas? add

Parcialmente. O campo em si é acessível, e a cidade publica um percurso sem barreiras a partir da paragem de vaporetto Ospedale na linha 5.2. No interior da igreja, a entrada principal tem dois degraus e a entrada lateral tem um degrau para subir e outro para descer — a Capela do Rosário também tem degraus. Utilizadores de cadeira de rodas devem chegar pelo percurso acessível recomendado pelo Comune ao longo de Fondamente Nove e pela Calle delle Cappuccine, que evita problemas com pontes.

Fontes

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