Museu Do Futebol
1.5 a 2 horas
Adultos: 5€ (verificar no local)
Contactar o museu para verificar elevadores e acessibilidade
Manhãs de dias úteis

Introdução

O arquivo oficial do futebol italiano — quatro taças do Mundo, um século de reinvenção tática e as camisolas de homens que pereceram num desastre aéreo — reside dentro de uma casa de campo toscana, nos arredores de Florença. O Museo del Calcio, em Coverciano, ocupa o restaurado Podere Gignoro, um edifício agrícola cujas vigas de madeira e arcos de tijolo emolduram agora vitrines repletas de botas, medalhas e camisolas usadas em jogo desde 1922. Se lhe interessa a forma como o desporto se transforma em história, esta é a sala onde a Itália guarda a sua confissão.

O museu encontra-se dentro do Centro Tecnico Federale Luigi Ridolfi, o quartel-general onde os Azzurri se preparam antes dos grandes torneios. A morada, Piazza Fino Fini, 1, homenageia o médico da seleção que passou uma década a lutar para erguer este espaço. A maioria dos visitantes chega pela Viale Aldo Palazzeschi, a entrada que os sistemas de navegação reconhecem sem hesitações.

Dez salas percorrem o futebol italiano, desde o primeiro jogo internacional em 1922 até aos dias de hoje. A Sala 3 deixa qualquer um imóvel: guarda recordações do Grande Torino, cujos 31 elementos morreram no desastre aéreo de Superga, a 4 de maio de 1949. O cachimbo de Enzo Bearzot descansa ao lado do troféu do Mundial de 1982 na Sala 4, enquanto a Sala 5 é dedicada ao fracasso — as oportunidades perdidas de 1970, 1978, 1990 e 1994.

Este não é um altar à vitória. A FIGC construiu um arquivo que inclui a derrota, uma escolha que o torna mais honesto do que a maioria dos museus desportivos pelo mundo. O edifício — três andares com duas alas laterais, debruçados sobre um pátio que esconde um auditório subterrâneo — merece tanta atenção quanto as peças expostas.

O Que Ver

Quatro Mundiais numa Só Sala

Os quatro troféus da Copa do Mundo da FIFA conquistados pela Itália — 1934, 1938, 1982 e 2006 — estão reunidos numa única sala, dentro de uma antiga casa de campo toscana. Nenhuma outra nação europeia alcançou tal feito. As taças douradas, surpreendentemente compactas, repousam atrás de vidro, cercadas por camisolas azuis que compõem uma cronologia visual impecável. Entre elas, exposta sem qualquer cerimónia, encontra-se a camisola de Diego Maradona — o maior pesadelo da seleção italiana, exibido na casa daqueles que ele tanto atormentou.

É possível segurar uma réplica da taça e sentir o seu peso real. O que poderia parecer um mero truque para turistas transforma-se, para quem visita, num momento de conexão genuína. Tudo isto acontece sob vigas de madeira e arcos de tijolo, longe da luz artificial dos estádios. O ambiente confere aos troféus uma aura que museus desportivos mais imponentes raramente conseguem atingir: a sensação de abrir um sótão familiar onde alguém guardou, com todo o cuidado, as relíquias de uma vida.

Podere Gignoro e a Evolução dos Materiais

O arquiteto Franco Di Ferdinando recuperou a estrutura do Podere Gignoro respeitando as proporções originais e os materiais tradicionais: vigas de madeira, tijolos colocados à mão e as pequenas traves típicas da alvenaria do século XIX. A casa de três andares, com alas laterais e telhados irregulares, esconde sob o seu pátio pavimentado uma moderna sala de conferências. Muitos passam por ela sem notar o rigor da obra, mas vale a pena observar os detalhes.

Nas salas mais resguardadas, a galeria de evolução de materiais oferece uma reflexão rara sobre o futebol como meio físico. As bolas de couro dos anos 20, que pesavam tanto quanto uma bola de bowling quando molhadas, contrastam com os materiais sintéticos ultraleves de hoje. Camisolas de lã, capazes de isolar qualquer frio toscano, pendem ao lado de tecidos tecnológicos que cabem num bolso. Desde 2024, uma mesa interativa permite explorar décadas de arquivos e curiosidades, enquanto a estação de selfies envia a foto diretamente para o seu e-mail. Os ecrãs brilham contra o tijolo exposto, e os tetos de madeira abafam o som — a arquitetura absorve a tecnologia sem a deixar dominar o espaço.

A Experiência Completa em Coverciano

Se quer entrar nos campos de treino do Centro Técnico Federal de Coverciano, onde a seleção italiana se prepara, a visita guiada é obrigatória. Os tours estão disponíveis em italiano, inglês, espanhol, francês e japonês. Se optar pela visita livre, percorrerá as seis salas do museu, mas caminhar sobre a mesma relva que os jogadores da Azzurra transforma a tarde num verdadeiro ritual de peregrinação.

No andar superior, uma pequena sala de cinema projeta imagens de arquivo: o grito primal de Marco Tardelli em 1982 e o momento em que Fabio Cannavaro ergueu o troféu em Berlim, em 2006. Depois, desça até ao Bar Sport, o café do museu que organiza tertúlias literárias sobre a cultura do futebol. A entrada custa cerca de 5€ — menos do que um café e um cornetto no centro histórico de Florença. Chegar a Coverciano exige um autocarro ou táxi, e a viagem através das ruas residenciais faz parte da experiência: está a deixar o centro turístico para entrar num lugar que pertence, exclusivamente, ao desporto.

Procure isto

Procure o objeto mais antigo da coleção: o galhardete do jogo Itália vs. Áustria, de 15 de janeiro de 1922, disputado no Velodromo Sempione, em Milão. Este simples triângulo de tecido ancora toda a cronologia dos Azzurri, irradiando mais de um século de história do futebol nacional.

Logística para visitantes

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Como chegar

Coverciano fica a cerca de 4 km a leste do centro histórico. Esqueça a caminhada a partir do Duomo; é longe. A melhor opção é apanhar o autocarro 17 em direção a Coverciano, partindo de Campo di Marte, ou apanhar um táxi no centro (10 a 15 minutos, custando entre 10€ e 15€). Se chegar de comboio, saia na estação Campo di Marte — o museu está a apenas 1,5 km, uma caminhada tranquila por ruas residenciais.

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Horários

O museu funciona diariamente das 10:00 às 18:00. Atenção: o calendário é flexível. Quando a seleção italiana (Azzurri) está em estágio no centro de treinos adjacente, o complexo pode restringir o acesso ou fechar por completo. Consulte sempre o site figc.it/en/museum antes de sair do hotel para evitar perder a viagem.

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Tempo de visita

São seis salas distribuídas por dois pisos. Um visitante casual percorre o espaço em 45 a 60 minutos. Se quiser ver os arquivos históricos no cinema e a exposição temporária, reserve 90 minutos. É um museu compacto; mesmo o adepto mais fervoroso raramente passa das duas horas aqui.

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Bilhetes e Poupança

O acesso está incluído no FirenzeCard, uma excelente forma de poupar se estiver a visitar outros museus da cidade. O guia áudio não é um aparelho alugado, mas sim uma aplicação gratuita ('Football Museum') que deve descarregar antes da visita. Verifique o preço do bilhete individual no site oficial, pois os valores podem sofrer ajustes.

Dicas para visitantes

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Respeite o perímetro

O museu está dentro do Centro Técnico Federal da FIGC, uma instalação desportiva sob vigilância. Mantenha-se estritamente na área do museu; tentar aproximar-se dos campos de treino ou edifícios da federação resultará numa abordagem imediata da segurança.

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Combine com o Estádio Franchi

Combine a visita com o Estádio Artemio Franchi, a apenas 2 km a oeste. É uma obra-prima de betão de 1931, assinada por Pier Luigi Nervi. O percurso entre os dois locais atravessa a zona desportiva de Campo di Marte, perfeita para quem respira futebol.

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Coma antes de chegar

Coverciano é um bairro residencial e não um polo gastronómico. Encontrará bares na Via di Coverciano com pãezinhos e café por 5€ a 8€, mas se procura uma refeição florentina a sério — como ribollita ou bistecca — coma antes no centro ou na zona de Campo di Marte.

info
É sobre a Itália, não Florença

Aqui celebra-se a história da seleção nacional, desde a flâmula de 1922 até ao troféu do Euro 2020. Não espere encontrar camisolas da Fiorentina; o museu responde a Roma, não a Florença. Se procura a história da Viola, o lugar é no Estádio Franchi.

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Prepare o guia áudio

Descarregue a aplicação oficial 'Football Museum' ainda no Wi-Fi do seu alojamento. A rede móvel nas ruas residenciais de Coverciano pode ser instável e perder tempo a configurar guias no átrio é desperdiçar minutos de visita.

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Drones proibidos

Pode fotografar o interior, desde que sem flash. Esqueça os drones: o complexo da FIGC é uma instalação federal com restrições de espaço aéreo rigorosas. O telemóvel é mais do que suficiente para captar as seis salas.

Contexto Histórico

O Monumento do Médico

A ideia de um museu nacional de futebol surgiu durante os preparativos para o Mundial de 1990, quando a Itália expandia o seu centro técnico em Coverciano. Havia uma quinta abandonada na orla do complexo — o Podere Gignoro, uma casa colonica tradicional com paredes espessas. Fino Fini viu ali uma oportunidade.

Seguiu-se uma campanha de uma década para converter fundos excedentes do Mundial e um edifício em ruínas num registo permanente do futebol italiano. A inauguração oficial ocorreu a 22 de maio de 2000, no Palazzo Vecchio, perante a ministra Giovanna Melandri. O local foi escolhido a dedo: não era apenas uma atração para adeptos, mas uma instituição cultural a reclamar o seu lugar entre os arquivos de Florença.

Fino Fini e a espera de dez anos

Fino Fini passou a carreira nas margens da glória. Como médico da seleção, viu finais de Mundiais do banco, tratou lesões de lendas e viveu o balneário em momentos que definiram gerações. Nunca pontapeou uma bola profissionalmente, mas compreendeu que a memória sem um edifício é apenas nostalgia.

O museu foi a sua visão, concebida por volta de 1990, quando os fundos do Italia '90 circulavam na federação. A renovação custou cerca de 1,5 mil milhões de liras — aproximadamente 775 mil euros — financiados pelo excedente do Mundial, com o arquiteto Franco Di Ferdinando a reconstruir a quinta seguindo os materiais e proporções originais. As obras terminaram em 1992, mas seguiu-se uma longa espera.

Passaram-se oito anos entre a conclusão das obras e a abertura oficial. Quando as portas finalmente se abriram, a 22 de maio de 2000, a coleção preenchia 800 metros quadrados com 300 objetos. E a morada não podia ser outra: Piazza Fino Fini, 1. O homem que idealizou o museu tornou-se o próprio chão onde este se ergue.

Uma quinta que esconde um bunker

O Podere Gignoro mantém o aspeto da sua origem: uma casa de lavoura toscana com pátio central e telhados irregulares. O que esconde, contudo, é inteiramente moderno. Sob o pátio pavimentado, existe um auditório para congressos construído durante a remodelação dos anos 90. Os visitantes atravessam o pátio sem saber que caminham sobre uma sala de conferências; o museu prefere ser lido como património antes de ser visto como instituição.

Os fantasmas na Sala 3

O desastre aéreo de Superga, a 4 de maio de 1949, dizimou o Grande Torino — a equipa mais dominante do futebol italiano, vencedora de cinco títulos consecutivos — quando o avião embateu na Basílica de Superga sob denso nevoeiro. A Sala 3 exibe as suas camisolas: não réplicas, mas peças usadas por atletas que morreram no auge das suas capacidades. É um momento de peso imensurável para o futebol italiano.

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Perguntas frequentes

Vale a pena visitar o Museo del Calcio em Florença? add

Se a história do futebol italiano lhe interessa, a visita é obrigatória. Não existe outro lugar no mundo que reúna as quatro taças da Copa do Mundo ao lado de camisolas, chuteiras e arquivos fílmicos que cobrem um século da Squadra Azzurra. Mesmo para quem não é aficionado, a atmosfera da quinta toscana restaurada e a sala dedicada ao desastre de Superga são profundamente marcantes. Reserve cerca de 5€ e uma hora do seu tempo; isto é um arquivo histórico, não apenas uma loja de recordações.

Como chego ao Museo del Calcio a partir do centro de Florença? add

Esqueça a caminhada; o museu fica em Coverciano, a cerca de 4 km a leste do centro histórico. A opção mais prática é apanhar o autocarro da linha 17 em direção a Campo di Marte/Coverciano, ou apanhar um táxi (10–15 minutos, cerca de 10€ a 15€). Use o endereço Viale Aldo Palazzeschi 20, 50135 Firenze no GPS, que leva diretamente à entrada do Centro Técnico Federal da FIGC.

Quanto tempo é necessário para visitar o Museo del Calcio? add

A maioria dos visitantes percorre as seis salas em 45 a 90 minutos. Adeptos casuais veem as vitrines de troféus e as paredes de camisolas em menos de uma hora. Já os entusiastas que decidem explorar os vídeos do arquivo, a mesa interativa e a evolução dos materiais devem reservar duas horas — especialmente se agendarem a visita guiada que inclui acesso aos relvados de treino da FIGC.

O que não posso perder no Museo del Calcio? add

As camisolas do Grande Torino na Sala 3 — usadas pelos jogadores que morreram no desastre aéreo de Superga em 1949 — carregam um peso emocional superior a qualquer troféu. Não ignore o cachimbo de Enzo Bearzot, exposto junto às memórias de 1982, ou a camisola de Diego Maradona, discretamente colocada entre os tons de azul da Azzurra. É também possível segurar uma réplica da taça da Copa do Mundo para uma fotografia, o momento táctil mais popular do museu.

Qual é o horário de funcionamento do Museo del Calcio em Florença? add

O museu funciona das 10:00 às 18:00, sem interrupção para almoço. Antes de ir, confirme o horário semanal em figc.it/en/museum, pois o museu encerra ocasionalmente para estágios da seleção nacional no Centro Técnico adjacente. Tal como muitos museus italianos, poderá fechar em feriados nacionais específicos.

Posso visitar o Museo del Calcio com o Firenze Card? add

Sim, o museu está incluído na rede Firenze Card, tornando-se uma excelente opção para quem já percorre os principais museus da cidade. Existe um guia áudio gratuito disponível na aplicação 'Football Museum', pelo que não há custos adicionais para a interpretação. Visitas guiadas em italiano, inglês, espanhol, francês e japonês podem ser reservadas com antecedência através do site da FIGC.

O Museo del Calcio é adequado para crianças? add

Sim, e está melhor desenhado para crianças do que a maioria dos museus italianos. Existe um percurso dedicado na aplicação, guiado pela mascote Oscar, que conduz os mais novos por jogos digitais e histórias adaptadas. A estação de selfies, a mesa interativa com quizzes sobre lendas do futebol e a oportunidade de segurar uma réplica da taça mantêm as crianças envolvidas. Menores de cinco anos não pagam entrada.

Qual é a história do Museo del Calcio em Coverciano? add

O projeto nasceu durante os preparativos para a Copa do Mundo de 1990 e foi inaugurado a 22 de maio de 2000, fruto de uma década de dedicação de Fino Fini, médico da seleção italiana. O edifício é o Podere Gignoro, uma antiga quinta toscana restaurada pelo arquiteto Franco Di Ferdinando com materiais tradicionais — vigas de madeira, tijolos e telhas recuperadas — mantendo as proporções originais. A inauguração ocorreu no Palazzo Vecchio, elevando a importância do museu como uma instituição cívica.

Fontes

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