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Fundada em 1978 e apoiada pelo conglomerado Taekwang, esta escola feminina de Seul travou uma batalha judicial em 2021 para manter o seu estatuto autónomo de elite — e venceu.
Dois edifícios idênticos erguem-se como imagens em espelho num quarteirão do distrito de Seocho-gu, em Seul, e entre eles corre uma das linhas de fratura mais reveladoras da educação sul-coreana. A Escola Secundária Feminina Sehwa não é uma atração turística em sentido convencional — é uma escola secundária em funcionamento na capital da Coreia do Sul, fechada a visitantes casuais. Mas, para quem tenta compreender as pressões, as ambições e os debates ferozes que definem a escolaridade coreana, a história deste campus em Banpo-dong é uma lente precisa sobre um país onde as notas de exame podem determinar a trajetória de uma família durante gerações.
A escola ocupa um quarteirão tão precisamente posicionado que o portão da frente se abre para a Estação Gubanpo e o dos fundos para a Estação Sinbanpo, ambas na Linha 9 do Metro de Seul — dois a três minutos a pé em qualquer direção. Esse acesso por transporte importa numa cidade onde o tempo de deslocação de um estudante é medido em função das horas de estudo, do mesmo modo que outros países o medem em relação ao lazer.
A Sehwa pertence à Fundação Ilju Sehwa Academy, o braço educativo do Taekwang Group, um conglomerado com interesses que vão dos têxteis aos seguros e à petroquímica. A ligação entre uma escola feminina e um império industrial é menos estranha do que parece na Coreia do Sul, onde as famílias chaebol há muito encaram a educação como obrigação social e também como canal de recrutamento de talento. O programa competitivo de voleibol da escola, por exemplo, alimenta diretamente a equipa desportiva profissional do Taekwang.
O próprio nome tem peso. 세화 — Sehwa — combina os caracteres de "mundo" e "transformação". Se a escola faz jus a esse nome depende de quem se pergunta, e de em que momento da última década a pergunta foi feita.
História
A Escola Secundária Feminina Sehwa abriu em 1 de março de 1978, com Song Hak-jun como primeiro diretor e autorização para dez turmas por ano. A fundação recebera aprovação governamental em junho do ano anterior, e a escola obteve licença em fevereiro — uma corrida burocrática que sugere que alguém com influência queria as portas abertas depressa. Esse alguém era o Taekwang Group, já então bem para lá das suas raízes têxteis.
Durante as suas primeiras três décadas, a história da Sehwa foi de acumulação discreta: um clube de voleibol criado em abril de 1982, resultados académicos estáveis, um campus partilhado com uma escola secundária masculina e uma escola básica feminina sob o mesmo guarda-chuva fundacional. A arquitetura era funcional, a reputação sólida. Depois, em abril de 2010, a escola recebeu uma designação que mudaria tudo.
O ponto de viragem
Em 2010, a Escola Secundária Feminina Sehwa foi classificada como jasoyulsalib godeunghaggyo — uma Escola Secundária Privada Autónoma. Essa designação significava liberdade para definir o próprio currículo, selecionar as suas alunas fora do sistema público de sorteio de Seul e, na prática, funcionar como uma instituição de elite dentro de um enquadramento público. Para famílias coreanas ambiciosas, escolas como a Sehwa tornaram-se bilhetes dourados rumo ao suneung, o exame de acesso à universidade que funciona menos como prova e mais como cerimónia nacional de triagem.
Nove anos depois, o Gabinete Metropolitano de Educação de Seul tentou retirar esse estatuto a oito escolas, entre elas a Sehwa. O argumento eram as avaliações de desempenho académico — mas as escolas denunciaram irregularidades. A nota mínima de aprovação tinha sido discretamente elevada de 60 para 70 pontos no fim de 2018, e o alcance das deduções foi ampliado, tudo isto antes de ser aplicado retroativamente a um período de desempenho de cinco anos que recuava até 2015. Os opositores do gabinete chamaram-lhe o que parecia ser: mudar as regras depois de o jogo ter começado.
Em fevereiro de 2021, o Tribunal Administrativo de Seul concordou. O tribunal declarou o cancelamento ilegal, concluindo que o gabinete de educação tinha "abusado do seu poder discricionário" — uma fórmula jurídica polida para um veredito bastante direto. A Sehwa manteve o seu estatuto de elite. Mas o episódio deixou marcas dos dois lados de um debate que toca num nervo exposto da sociedade coreana: se instituições como a Sehwa ampliam as divisões de classe ou apenas recompensam os estudantes dispostos a trabalhar mais dentro delas. A resposta, como quase todas as respostas honestas em política educativa, provavelmente é ambas.
Não — é uma escola em funcionamento com acesso restrito, não uma atração pública. Visitantes em geral não podem entrar no campus. Quem tiver um objetivo específico de pesquisa ou jornalismo pode fazer uma consulta pelos canais oficiais da escola em sehwags.sen.hs.kr, mas visitas sem agendamento não são possíveis.
É conhecida como uma das escolas secundárias privadas autônomas de elite de Seul (자사고) — uma designação que lhe permite definir o próprio currículo e selecionar estudantes independentemente do sorteio padrão. A escola também mantém um programa competitivo de voleibol que alimenta a equipa desportiva profissional do Taekwang Group.
O Gabinete Metropolitano de Educação de Seul tentou revogar o seu estatuto autónomo de elite, argumentando que escolas desse tipo ampliam a desigualdade social. A escola contestou a decisão e, em fevereiro de 2021, o Tribunal Administrativo de Seul considerou o cancelamento ilegal — concluindo que o gabinete de educação tinha alterado os critérios de avaliação a meio do processo e depois os aplicou retroativamente.
Sim. Desde abril de 2010, detém o estatuto de escola secundária privada autónoma (자율형사립고), uma das designações mais seletivas da Coreia do Sul. Faz parte do cinturão educativo de Seocho-gu, ao lado de Gangnam, onde a competição por vagas é intensa e a sombra do exame de acesso à universidade, o suneung, nunca anda longe.
O campus fica entre duas estações da Linha 9 do Metro de Seul: a Estação Gubanpo (구반포역) serve o portão da frente, e a Estação Sinbanpo (신반포역) serve o portão dos fundos — ambas a 2 ou 3 minutos a pé. A morada é Banpo-dong, Seocho-gu, Seul. Convém lembrar que, para um visitante comum, não há nada para ver quando chega.
O Parque Banpo Hangang fica a cerca de 10 a 15 minutos a pé para norte — um amplo parque ribeirinho ao longo do rio Han onde funciona a Fonte Arco-Íris da Ponte Banpo, que com 1.140 metros é a fonte de ponte mais longa do mundo. O próprio bairro de Seocho-gu tem muitos cafés, restaurantes e aquele tecido urbano discreto que raramente aparece nos guias.
A escola foi fundada em 1978 pela Fundação Ilju Sehwa Academy, afiliada ao Taekwang Group — um conglomerado sul-coreano com interesses em têxteis, seguros e petroquímica. O diretor fundador foi Song Hak-jun, que tomou posse em 1 de março de 1978, dia da abertura da escola.
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